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TIAGO SARMENTO

PSICANALISTA, PH.D.

Psicanalista, professor e membro do EBEPJF, Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ, Mestre em Comunicação Social - Redes, Estética e Tecnocultura e especialista em Psicanálise: Subjetividade e Cultura (ambos pela UFJF) e graduado em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pelo Ces/JF.

Psychoanalyst, teacher and member of EBEPJF (a psychoanalytic group affiliated to Espace Analytique's network); Ph.D. in Psychoanalytical Theory – Federal University of Rio de Janeiro –, master in Communications Studies and specialist in Psychoanalysis: Subjectivity and Culture – Federal University of Juiz de Fora; Graduated in Communications Studies – Advertising.

This website contais articles, essays and papers both in English and in Portuguese. 

 
 

SARMENTO NO DIVÃ

Tiago Sarmento é natural de Juiz de Fora, orgulhosamente das Minas Gerais, mas mineiro da gema mesmo sô, e desde cedo demonstrou interesse pela área de humanas – algo que suas notas em matemática, física e química claramente exibiam. Músico, compositor, ator e aspirante a escritor antes mesmo da puberdade – e de aprender que "mim não faz; mim não quer", Sarmento ingressou na faculdade de Letras em 2003 que abandonou no último ano para se tornar redator publicitário e graduar-se em Comunicação Social com louvores em sua monografia "A semiótica do medo". Após estagiar por praticamente todas as agências de sua cidade e passar por um processo de trainee na W/McCann em São Paulo (união entre a W/Brasil de Washington Olivetto e McCann–Erickson, agência americana cuja filial brasileira fora fundada em 1935 por seu avô, Armando de Moraes Sarmento), retornou para sua Xisdefora onde ingressou na pós-graduação lato sensu em Psicanálise: Subjetividade e Cultura no Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ainda na pós, ingressou no Mestrado em Comunicação Social - Redes, Estética e Tecnocultura também na UFJF e, como não quer nada querendo tudo à la sonhos Pessoanos, partiu logo em seguida para o Doutorado em Teoria Psicanalítica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde finalmente obteve seu título de Doutor em fevereiro de 2019 com a tese "O Herói em Freud e a cultura de massas: Trauma e Unheimliche nos filmes de super-heróis pós-9/11", tendo ambas as titulações do stricto sensu com conceito máximo. 

Agora chega de formalidades... na verdade, ele-eu sou um apaixonado por poesia da vida, pela filosofia, pela beleza no caos e na angústia do viver – e vinho, muito vinho; em excesso! Pessoa, Drummond, Paul Simon na voz de Art Garfunkel, o fuzz na Old Black de Neil Young em Scenery, a introdução de Sweet Emotion com baixo e talkbox em perfeita harmonia construída pela maior banda da história – Aerosmith –, a voz de Shannon Hoon, o rancor de Roger Waters, o resveratrol proveniente da herança dionisíaca chamada vinho e sua pequena pérola chamada Pinot Noir advinda da Borgonha, as cachoeiras titânicas da Islândia, o ar da serra de Sintra... isso é Tiago Sarmento. Isso é o eu entre todos os eus que posso ser nos momentos em que eu posso ser eu sem precisar seguir ABNT, passar por revisor 1, 2, 3 de Oliveira 4, dez-orientação, formulários e cartas de aceite – ou rejeições (dos papers e dos brotos, mora?). Nas palavras traduzidas de Lord Tennyson, "embora muito é tirado e muito permanece; embora não sejamos mais agora aquela força que em tempos idos moveu terra e céu – que algo somos, somos. Um espírito semelhante aos heróicos corações, enfraquecido pelo tempo e destino, mas forte em vontade para a luta, a busca, o encontro, e não para se render". 

Um carinhoso pedido: estamos em épocas obscuras e incertas; precisamos, mais do que nunca, de nos unir. Mas, mesmo sabendo disso, parece que precisamos, por algum motivo torpe, semear a discórdia através da tentativa de "botar o pau na mesa", de mostrar que somos "foda", nos exibir como corretos, hiper-inteligentes e os donos da Razão Única, da Verdade Última Eu não faço parte deste modo de pensar, ainda penso em compartilhar o conhecimento para que sejamos coerentes e possamos refletir, debater, aguir, concordar, discordar principalmente – MAS COM ARGUMENTOS, NÃO COM TIJOLOS METAFÍSICOS! – e, assim, criar, melhorar e progredir. Ilusório? Talvez. O pedido? Disponibilizo aqui, de forma gratuita, todos os meus artigos. Peço apenas que tenham o bom senso e a índole de utilizá-los corretamente – leia–se: citar a fonte, o autor e não utilizar minhas palavras como suas. Lembro que isso é plágio e que qualquer atitude vil como esta está passível de punições previstas por leis, uma vez que todos estes artigos e ensaios estão devidamente publicados e registrados como prova de obras inéditas. Então usem sem moderação, mas use corretamente. 

*Não possuo o direito de nenhuma das imagens. Todas estão disponíveis na internet e qualquer uma delas será removida mediante pedido dos devidos autores.

*Disclaimer: I do not own any rights to these images, they are merely illustrative and were gathered from Google Images. The rightful owners of these images can claim ownership and politely ask for they removal. I will do it in a split second. 

 

ARTIGOS

 


O CORINGA E A DIFERENÇA ENTRE DEPRESSÃO REAL E A “ODE À DEPRESSÃO” CONTEMPORÂNEA.

O Coringa e a diferença entre depressão real e a “ode à depressão” contemporânea.

por Tiago Sarmento



Facebook é cheio de PhDs em tudo: política, saúde mental, antropologia, sociologia. Basta a pessoa ter células pra achar que pode falar de biologia; basta ter título de eleitor que acha que é livre-docente em política; basta tomar um ansiolítico pra achar que pode debater com um profissional de 30 anos de carreira sobre depressão.


Mas, feliz ou infelizmente, eu sou, de fato, mestre em Comunicação com ênfase em Estética e Cinema e PhD em saúde mental – doutor em Teoria Psicanalítica – e meu título foi arduamente adquirido em cima de falar sobre vilões e de quadrinhos no cinema e sua relação com o sujeito contemporâneo, tudo isso habilitado pela UFRJ e por toda a legislação Brasileira, “afim de gozar de todos os direitos que o título permite”, diz o diploma.


Então, esta não é só mais uma opinião qualquer de Facebook, quer concordem ou não (e, por si só, torna-se triste e aterrorizante o fato de termos que desperdiçar tantas linhas para eu justificar minha credibilidade para falar do tema somente por estarmos entremeados à esta “cultura compulsório-opinativista” à qual falarei abaixo).


Assim que saí do filme Coringa publiquei este artigo no LinkedIn falando que o filme seria perfeito se não fosse o personagem Coringa: [https://www.linkedin.com/pulse/joker-movie-would-perfect-one-thing-tiago-sarmento/] Curiosamente, o jornal The Guardian publicou uma matéria na qual o próprio diretor admite um rumor no qual o roteiro já estava pronto antes mesmo de cogitarem colocar o personagem Coringa no meio: “vamos enfiar um filme de verdade no sistema dos estúdios disfarçado de filme de quadrinhos […] vamos fazer um filme de verdade com um orçamento de verdade e chamá-lo da p***a de Coringa”[https://www.theguardian.com/film/2019/oct/04/joker-the-incels-the-incitement-the-ending-discuss-with-spoilers]. E, no filme, salvo o personagem-título, a cidade de Gotham, o nome do Hospital Arkham e a família Wayne, não há mais nenhuma conexão com a origem do Coringa nos quadrinhos. Nenhuma. Há uma ou outra relação aqui ou ali, como sua falha na carreira de comediante ou a utilização da TV como meio de espalhar terror. Fora isso, não há mais nada em relação ao universo do Batman.


E eis o perigo que assinalei no artigo publicado. A narrativa de qualquer história requer um protagonista e um antagonista. A raiz do termo é o Agon que, em Grego, significa conflito (sim, você está certo se relacionou Agon com agonia também, pois ambos vem da mesma raiz que, em sua origem máxima, vem de estreiteza. Por isso a agonia traz um nó na garganta, uma sensação do estômago estar se apertando. Ou, em termos nobres, c* apertado). Pode ser entre pessoas, entre uma pessoa e um ambiente, um Deus, qualquer obstáculo. Mas o proto-AGON é aquele que é o herói conflitado e o anti-AGON é aquele que incita o conflito. Logo, herói torna-se termo co-semelhante ao de protagonista no que tange a narrativa de qualquer história, pois é ele quem acompanhamos, desde o momento que o conflito se apresenta até o momento que o conflito é resolvido – INDEPENDENTE SE ELE É BONZINHO OU UM HOMICIDA EM MASSA. Então, se um biógrafo, por exemplo, narra a história de Adolf Hitler, em termos técnicos, Hitler é o herói protagonista da história – não me julgue, reclame com Aristóteles e seus antecessores.


O próprio The Guardian havia publicado também uma matéria com cartas de preocupação das famílias das vítimas do atentado de Aurora. [https://www.theguardian.com/film/2019/sep/24/families-of-aurora-shooting-victims-condemn-gun-violence-in-joker]. Lembram não? Memória de internet… se não reforçar em memes, os fatos morrem. Quando por muito menos – já explico, calma – James Holmes entrou atirando num cinema do Colorado durante o filme O Cavaleiro das Trevas e matou 12 e feriu 70 pessoas. Depois alegou que era o próprio Coringa. Se livrou da prisão “normal” por insanidade. Ele fazia doutorado em Neurociências e tinha uma bolsa de mais de 21 mil dólares no instituto Nacional de Saúde, só a título de curiosidade.


Mas, Tiago, por que o “por muito menos”? Por muito menos pois, no dito filme, o Coringa era “apenas” o Coringa. Não o conhecíamos antes. Nossa relação com ele era a de antagonista, não de protagonista. Um ótimo antagonista que introduziu no universo do Homem-Morcego pela primeira vez seu arqui-inimigo com raciocínio lógico. Anarquista, amoral niilista, quasi-Übermensch mas de certa forma coerente, elevando o nível das produções do gênero e desafiando os próximos filmes a criarem vilões cada vez mais complexos. A partir de 2008, ano de O Cavaleiro das Trevas, coincidentemente ou não, tivemos uma enxurrada de filmes onde conhecidos vilões da cultura pop foram protagonistas de filmes chamados prequels, histórias que precediam suas obras canônicas e que, em TODAS, começavam como bonzinhos, ou seja, altamente identificáveis e se tornavam “maus” por motivos também identificáveis, seja sacrifício pelo povo, seja má interpretação da sociedade ao seu redor, seja manipulação de outros personagens – vide Drácula, Peter Pan, Malévola, Oz, Magneto na última sequência da franquia X-Men e mais uma gama de personagens iniciadas pelo fim do episódio 6 de Guerra nas Estrelas e pela alta popularidade do Capitão Gancho em Hook, de 1992, aquele filme com o Robin Williams como Peter Pan e Dustin Hoffman como o Gancho.


Se aquele Coringa gerou tamanha identificação, imagine um Coringa protagonista com uma ótima atuação teatral (percebam como, mesmo no programa de TV após a sua catártica transformação, o “Coringa” ainda demonstra traços de hesitação na fala como antes, ao invés de se tornar todo-poderoso como de se esperar), personagem de classe baixa, que todos os dias pega o trem todo pichado da periferia para o centro cheio de arranha-céus da cidade grande, solitário, deprimido, que vive com a mãe, tem sonhos de grandeza – os quais a plateia não sabe ao certo se são sonhos acordados ou alucinações –, é acometido a todos os tipos de violência (física, moral e psicológica) pelos mais diversos tipos de personagens, tem um trabalho mequetrefe e é ruim no que faz, falha miseravelmente na tentativa de uma carreira artística, é impotente em suas reações e ao tentar falar com os superiores, tem problemas de fala, toma antidepressivos e tem uma doença neurológica – algo que TODO MUNDO na internet virou Ph.D. em Neurologia pra logo o diagnosticar com Afecção Pseudo-Bulbar, patologia que cabe plenamente em seus sintomas mas que há diagnósticos diferenciais por estar associado a outras características em seus sintomas. E….. ah sim, estamos falando de ficção cinematográfica, não de um paciente em clínica, esqueci disso por um minuto.


Eu mesmo me peguei chocado em determinado trecho do filme por tamanha identificação com o personagem. E foi aí que me veio a grande preocupação. Estou LONGE de ser um ser humano ideal ou melhor que qualquer pessoa. Tenho vários problemas emocionais – tanto que me vi representado ali naquele palhaço psicopata! Mas “por muito menos” foi possível uma identificação real a um assassinato em massa. Fosse o filme passado nos tempos presentes – e chega a beirar o absurdo como o diretor quase se arrepende de ter escrito o roteiro na década de oitenta ao invés de ser nos tempos atuais na manifestação do final do filme –, certamente a internet estaria recheada de #weareallclowns. A máscara de Guy Fawkes facilmente poderá ser transformada em máscara de palhaços. Aliás, já houve, anos atrás, um movimento de aparecimentos bizarros e aleatórios de palhaços, personagens que há séculos povoam o imaginário popular de forma não tão engraçada assim. O palhaço, segundo o psicanalista Christian Dunker, por ser alguém à parte da sociedade, é alguém perigoso e sua máscara, como as máscaras ao longo da história, é facilmente transformada em algo ameaçador.


Citações como “Eu não fui feliz um dia sequer da minha vida”, “até hoje eu não sabia se eu realmente existia” ou “o pior de você ter um distúrbio mental é que os outros esperam que você se comporte como se não tivesse”, a pantomima do suicídio diante de uma coreografada e fantasiosa entrevista televisiva…. Cara, isso é muito sério para se colocar num filme sobre um vilão de quadrinhos, mesmo que hoje em dia o patamar dos filmes exija mais verossimilhança. Há um limite. Especialmente no que tange utilizar uma música de um cantor que ficou encarcerado 16 anos por pornografia infantil na cena mais icônica do filme. HÁ UM LIMITE PARA OS FILMES DE QUADRINHOS. Os personagens da ficção, especialmente os do universo dos super-heróis, devem se manter fictícios. Reais o suficiente apenas, não reais a este ponto. Em minha tese, ao ouvir várias pessoas, a grande maioria disse que gostava mais dos vilões do que dos heróis por serem mais interessantes. O autor Richard Reynolds em seu livro Superheroes (1992) diz que os vilões são as reais estrelas dos quadrinhos pois são eles os ativos que iniciam o conflito. É o antagonista que sempre faz a ruptura na ordem à qual o protagonista está inserido. Você não entra no conflito fome se o seu organismo não acusa falta de alimento. Enquanto ele não acusa esta falta, você não precisa fazer nada, é passivo. Mas quando ele ativa esta engrenagem e diz “preciso de alimento”, faz você sentir fome. Ele perturba a sua paz e gera um conflito até que você o resolva e derrote o inimigo – a fome – com o ato de se alimentar. É mais ou menos assim que funciona a ordem protAGONista/antAGONista.


A psicanalista americana Sherry Turkle (2012) em seu livro Alone Together descreve como hoje em dia estamos sozinhos em conjunto, cada vez mais incapazes de criar laços reais – assim como Arthur Fleck, o “suposto” Coringa. Abaixados e olhando como aves de rapina para nossos smartphones, sentamos no sofá e somos incapazes de conversar com nossos familiares. “Mentira, Tiago, eu converso sim!”. Então faça-me o favor: levante seus olhos, tire seus dedões e dedinhos desta telinha; tire o smartphone da mão de quem está ao seu lado; aguente suas reclamações; olhe no fundo, bem lá fundo de seus olhos e pergunte: “está tudo bem mesmo com você?”. Aguarde a resposta e me ligue na segunda.


O problema da identificação com a depressão nas telas representada por um dos mais adorados personagens da cultura pop, presente no imaginário dos ferrenhos fãs da Extrema Religião Tesserático-Paralaxe da Pop-Culture do Séc. 21 há mais de 70 anos, é que esta não é real. Torna-se "mais que real", nas palavras do filósofo Jean Baudrillard (1986) – aquele que as irmãs Wachowski, antes irmãos, pegaram erroneamente segundo o próprio filósofo o conceito de simulacro e simulação e criaram o filme Matrix em cima dele. O "mais que real" é periculoso pois é também "mais que fictício". É uma ficção que ultrapassa a ficção; mistura não apenas o que sentimos; agrega o espetáculo das telas que permeia nossos desejos, nossos anseios, o constante bombardeio de informações, dos imperativos de façacomprecomasonheseja. Adentra nossos poros e, nos dias de hoje, estaria o filósofo vivo, desconfio que ele sugeriria que se esvairia nas redes em forma da ode à depressão; do triunfo do narcisismo negativo, do “eu tenho mais problemas que você”.


Parece que na era da compulsão à opinião, uma vez que apenas 1% da população pode se gabar de vantagens financeiras, uma das disputas é quem é mais fucked-up; quem é mais deprimido; quem sofre mais enxaqueca; quem tem menos pêlos nas barbas; quem tem o pinto menor; quem tem mais anomalias, como se a disputa fálica se tornasse uma disputa “fálhica”, da falha. Da mais-falha. Quase uma mais-falhia marxista.


Esta é a periculosidade da identificação com este Coringa. Fosse o filme sem ser deste personagem – e qualquer pessoa que viu o filme consegue PLENAMENTE fazer o fácil exercício imaginário de retirar qualquer relação com o universo de Batman e do Coringa, obviamente –, seria um filme dos grandes como Taxi Driver, Psicopata Americano, Um dia de Fúria e tantos outros que tangenciam os mesmos temas de saúde mental e surto de violência, psicose e depressão e impotência de seus protagonistas. Mas introduza um dos personagens mais endeusados de uma cultura que é conhecida por ser extremamente possessiva e até mesmo ofensiva com seus personagens, chegando até mesmo a achar que são os verdadeiros donos deles, juntamente com uma era onde a solidão impera e há uma explícita concorrência nas plataformas de quem consome mais Rivotril – Rivotril e outros, pra não haver má-interpretação, assim como os dois primeiros e desnecessários parágrafos – e podemos ter um resultado desastroso. Some isto a uma crescente insatisfação com os modelos políticos e sociais à nossa volta e às constantes revoltas públicas que o filme claramente emula, adicionando ainda o assassinato da família Wayne, os ricos e poderosos, arrogantes e que culpam publicamente os pobres por serem os palhaços responsáveis pela própria miséria – o que torna a metáfora da origem de Batman ainda mais sensível, mas isto fica pra outra hora –, e temos uma problemática imensa a se considerar de um ponto de vista antropológico: era mesmo necessário, utilizando as palavras do próprio diretor, introduzir o fucking Joker no meio deste roteiro?


Na era do que chamo esdruxulamente de narcisismo de merda, dessa competição fálhica de quem é mais fodido que quem como… sei lá…. vitória?... torna-se sensível demais brincar com quem não sabe o limite entre real e imaginário, com quem precisa "descer do play". O mais que real que se presentifica por sua qualidade ultra-simbólica e, sabendo como o simbólico hoje em dia é faltoso e subjetivamente preenchido por desilusões solitárias, torna-se um frágil invólucro de fotos, hashtags e posts recheados de raiva, pregações, opiniões sem embasamento e odes a símbolos, como os atuais, fracos e falhos.


No filme, Arthur Fleck é humilhado no programa mais popular de humor da TV ao dizer “Quando eu era pequeno todos riam de mim quando eu dizia que queria ser comediante quando crescesse. Bem… ninguém está rindo agora”. E em alguma de suas encarnações o Coringa diz “você sempre apanha de quem não entende a piada”,


E se o ditado está correto para este filme juntamente com a risadas incontidas decorrentes do distúrbio neurológico de Arthur, aqui, quem ri por último será o palhaço da história.


E eu só espero que haja ninguém na sala do cinema desta vez.

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Post Scriptum: para os mimimistas de plantão – Ó Príncipes, meus irmãos! –, reparem que eu, que sou psicanalista, não citei Freud sequer uma vez hein! Mas.... será mesmo que não ou o não-não de denegação?

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WHY THE JOKER MOVIE WOULD BE PERFECT IF NOT BY THE JOKER HIMSELF.

Last night I went to see the Joker (Todd Phillips), I do believe it was released here in Brazil earlier – or so I guess. Phillips is known to be the director of nonsense comedy movies – the Hangover trilogy, Due Date, Road Trip and Old School for example – so this is a courageous step towards cinematography. And, in my opinion, he did a good job.

But I'm not a movie critic.

Let's just settle something before I state my argument: my Ph.D. thesis was on the post-traumatic superhero movies after the 9/11 attacks and how Freudian psychoanalysis could read how Hollywood was developing its productions after it. The study led me not only to dig deep into Freud's work to try and bring to light a concept of Hero for the psychoanalytical field, but to argue, alongside Jean Baudrillard, Edgar Morin and Friedrich Nietzsche – to name a few – how the discussion on Good and Evil is forged by the society that reflects upon it. The very own idea of a Hero for Freud and Otto Rank was that the hero, like those from mythology and history, was flawed just like anybody else. And that's what mattered for our identification with then: the whole "Heroes Monomyth" includes a protagonist and an antagonist. Period. It is impossible for us to identify solely with Batman because he exists only because there are "bad guys" in the world. I won't get into specifics, my thesis is available on the internet, although in Portuguese.

Now enters the Joker movie. The movie would be perfect if the rumours were true, that the script was ready before they even think of putting the Joker character in it. But don't judge me yet – although I know you did once I mentioned Freud. I love Batman (my Masters' was about him), I love the Joker and I LOVED Joaquim Phoenix in it, an actor that I'm not a big fan of. His character was flawless. I won't spoiler anything, but even when he makes his transformation – come on, the trailer gives it away with that dancing stairs scene – he still shows some of his earlier hesitations.

But do we need a villain origin movie that has nothing to do with his comics origins and makes the main character easily identifiable with anybody? Remember: he is a psychotic killer, one of the most known monster of fiction and beloved mass murdered of pop culture. Heath Ledger's Joker was a turn on the character when he introduced a logical thinking that we all agreed on – aside the killing part. He shared some thoughts that even the aforementioned authors expressed. That was not dangerously rational but led to James Holmes and the Aurora cinema shootings due to his strong identification with the character – alongside a psychotic delusional spree.

But we knew Ledger's Joker only as the Clown Prince of Crime and his jokes on how he got his scars. This time we are closely introduced to Arthur Fleck's dramas, loneliness, sadness, failures, Tourette's-ish (Post-Script: allegedly Pseudobulbar Affect) laughs and, mainly, psychosis. But what scares me as a psychoanalyst and anthropological researcher is that I saw myself reflected onscreen. And it was then that I realised how dangerous this movie could be. Anyone these days feels like Arthur – aside from his psychosis. But even his unmanageable eerie laughs can be related to some particular traits we all have as individuals. But his sadness - "I didn't know if I even really existed", "I wasn't happy one single day of life" and "The worst part of having a mental illness is people expect you to behave as if you don't" – is easily shared amongst us. I mean, who here wasn't bullied to the point of feeling impotent? Who here never said "You don't know what's going on here inside" when somebody told him "I know what's going on"? Who amongst us never felt awkward, never felt that we didn't belong somewhere, that nobody understands us?

Nowadays we compete on miserableness. We discuss who's more depressed like it's somehow a Phallic competition. Look at any internet forum. Look at THIS article's answers – if any. We all want to shine on the spotlight, to try and be smarter than the next guy. But on the other hand, as we are always trying to fill this powerlessness by playing the role of an unmatched genius, we are only feeling the void inside us. Don't try to denied it. We ALL FEEL THAT. We are unlinked as persons, incapable of real human connection. Check out the book Alone Together (2012) by psychoanalyst Sherry Turkle. "Oh, but you're wrong, Tiago. I'm 25 and happily married". But look up, then. Take your eyes off this screen. Turn your cell phone off right now. Turn to you special one, reaching out your hand and staring deeply into his/her eyes and ask: "are you REALLY fine?". See the answer. Then call me on Monday.

Apart from the "#weareallclowns" movement – thank GOD Guy Fawkes masks are now gonna be replaced (that's subject for another article) – being a direct mention to the "we are the 99%" movement, the Joker movie is the perfect movie that should not have had the Joker as main character. The Joker is a beloved character for more than 70 years. But he's a homicidal maniac that can't even connect to Harley Quinn (Oh boy, Birds of Prey.... please, don't WB, please don't...). He shot Barbara Gordon, made her paraplegic, kidnaped her father – Commissioner Gordon – and put him through a ghost train with his daughter's naked picture lying on the ground in a pool of blood. That's the character that we are meant to identify with in this movie!

Check American Psycho: amazing, even identifiable to a certain point, but he didn't have a record before. Not the Joker. To take a beloved character like that and toy with traits that are remarkably similar to ours – impotence towards bullies, being treat like s**t at work, being taken for granted by anybody, dreams of making it big (and the major part of the public can't tell dreaming from delirium apart), failures, sadness, loneliness etc – is very dangerous from an anthropological point of view. To make a ginormous triumphant scene like the stair dance, the emotional relief with his transformation and even cheer for him to kill the guys who wronged him is to religiously celebrate a god. A god of evilness. A god of chaos. A god of madness. And that's F***ING AWESOME cinematographically speaking. Magical scenes. But not with a beloved and treasured character that Warner Bros. protects even more than Batman himself. That's making said religion out of an already existing cult to this character, to this movie genre, to the identification with "the bad guy". And the faithful of this church, the Church of 21st Century Pop Culture, are really extremist.

For years now Hollywood understood that the superhero isn't enough for us, that we identify ourselves with the villains too. Sometimes they are right and sometimes the hero's moral codes doesn't allow him to do what's necessary. Even anti-heroes have their limits. Now beholds the anti-villains: origin stories of villains that, as the rules tell, are supposed to be identifiable due to the fact that they are the protagonist of the story (check the meaning of the Greek term agon). That's OK and entertaining to a certain point. TO A CERTAIN POINT.

The Joker movie is an outstanding reality-like movie about a psychotic man on a delusional killing spree. To identify with him would not be healthy to say the least. But then there's the Joker, a character we all love for almost a century being portrayed like you and me and all of us feel sometimes (maybe all the time?): depressed, alone, frail, vulnerable and incapable of connect to others. And that's not funny at all. The joke's on us.

And I hope there's no punch line with it.

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REVIEW – HOLLYWOOD 9/11: SUPERHEROES, SUPERVILLAINS AND SUPER DISASTERS

Critic review on the book Hollywood 9/11: Superheroes, Supervillains and Super Disasters

RESHAPING THE HISTORY OF THE BADDIES: A PSYCHOANALYTIC ESSAY ON THE DUALITY OF HEROISM AND ANTI-VILLAINS

The Anti-Villain may not be a term as known as Anti-Hero, but it is a common concept in popular culture nowadays. Since the new millennium, the virtuous hero is no longer enough for the spectator’s complete fruition of the movie. It is on that verge that we can observe some productions being made about well-known evil characters with a ‘good’ past. It is not rare to come across characters like Magneto or Baron Mordo, usually starting off as good guys and later turning to the dark side, but characters like Dracula, Captain Hook and others are having new origin stories about a heroic past. But this raises a question: what are we trying to deny within our nature by making a villain more likeable? Parting from Sigmund Freud’s theory, we are able to explore the duality of principles in our psyche: the dialectic relation between death drive and life drive and the conflict of unconscious desires and external reality. Psychoanalytic theory considers that the unconscious do not contains opposites. Hence, nothing is ‘good’ nor ‘bad’, ‘right’ nor ‘wrong’; this simply are, and it is our conscious mind that determines these qualities – good or evil, love or hate etc. In this brief extract of a Ph.D. thesis chapter written years before its final publication, we shall explore how this ambivalence of feelings reflects upon characters identification with spectators and the uprising awe towards the “bad guys”. And girls.

Artigo publicado nos anais do 23º congresso de  AVANCA - Conferência Internacional de Cinema – Portugal/2019

“COMO NOSSOS PAIS”: UMA REFLEXÃO SOBRE A OMISSÃO CULTURAL DE PSICANALISTAS E A METÁFORA ACADÊMICA DO “SHOW DE TRUMAN”

Uma reflexão que visa provocar a transmissão, especialmente na academia, dos conceitos psicanalíticos através dos dixits dos Pais fundamentais do campo, onde aqueles que estão no lugar de transmissores de conhecimento repetem a verborragia de determinados autores ad aeternuum sem, na visão do autor, nada criar, constantemente rodando em um círculo vicioso narcísico de auto-adulação.

Artigo apresentado na mesa redonda "Lugar de escuta, lugar de fala e lugar do corpo: desafios para a psicanálise na cultura contemporânea", coordenada pela Dra. Simone Perelson (PPGTP-UFRJ/EBEP) no VIII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental – Rio de Janeiro/2018.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PSICANALÍTICAS SOBRE O NATAL E O ANO NOVO 



Partindo do conceito popular de 'holiday blues' – aquela sensação de melancolia que às vezes invade o indivíduo no Natal –, propomos uma reflexão entre os sentimentos trazido à tona pelas festas de fim de ano e o chamado ‘inferno astral’ a partir da psicanálise freudiana. Utilizando as noções de desamparo, desejos e fantasia (FREUD, 1895; 1900; 1907), refletimos sobre como o afeto que a criança uma vez recebera em sua infância e alimentava seu narcisismo primário ainda se conserva marcada no inconsciente e está passível de retorno. Nestas datas festivas – que remetem à refeição totêmica e à tentativa do sujeito de se orientar através do simbólico em busca da segurança de um suposto Pai Todo-Poderoso que outrora o protegia (FREUD, 1913; 1927; 1930)– este conteúdo pode estar mais próximo de se manifestar por se tratar de uma época no qual o adulto, que carece daquele afeto uma vez experimentado, se torna mais vulnerável emocionalmente – diante dos massacres da constante luta entre realidade psíquica e realidade externa. É aqui que entra o conceito de Unheimliche (FREUD, 1919; SARMENTO, 2013; 2014) nesta articulação: fantasmas, fantasias e desejos proveniente de fortes afetos que teimam em retornar e se aproveitam do mal-estar que estas datas podem produzir.


Artigo publicado na revista Uncanny Journal, n. 4 (2016), em português e inglês.

 
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SOME PSYCHOANALYTICAL THOUGHTS ON CHRISTMAS AND NEW YEAR. 

English: Parting from the popular concept of the ‘holiday blues’, we propose a reflexion between feelings dredged up by the holidays season and the so-called ‘inferno astral’ with Freudian psychoanalysis. By using concepts such as helplessness, unconscious wishes and fantasy (FREUD, 1895; 1900; 1907), we ponder on how the affect that the child once received in his early life and fed his primary narcissism finds itself still preserved in his unconscious and it is likely to resurface. On these festive dates – that are connected with the totemic meal and to the subject’s quest of guiding himself through the Symbolic, seeking the same security of an alleged All-Powerful Father that once gave him protection (FREUD, 1913; 1927; 1930) –, this repressed material may be closer to manifest by virtue of the abandoned adult becoming emotionally vulnerable – due to the massacre of the constant struggle between psychic reality and external reality. And that is precisely where the concept of the Unheimliche (FREUD, 1919; SARMENTO 2013; 2014) – the uncanny – meets our essay: phantoms, fantasy and wishes descendant from those strong affections that insists on returning and take advantage of the sadness that these events may produce.

Essay published in Uncanny Journal, n. 4 (2016).


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ALTER-EGOS NAS REDES: O ESPETÁCULO NARCISISTA E A TENTATIVA DE AUTO-MITIFICAÇÃO ATRAVÉS DOS AVATARES VIRTUAIS.

Este artigo é um ensaio que visa comparar os perfis em redes sociais da internet com a ideia dos alter-egos presentes no universo dos super-heróis. Seria essa uma tentativa do sujeito pós-moderno de se auto-mitificar? A construção simbólica que o usuário dessas redes supostamente tenta alcançar é semelhante à ideia central do mito: ser uma referência de determinados processos. Com base nas postulações freudianas acerca do Eu (ego) e abrindo diálogo com Umberto Eco e seus estudos mitológicos e sígnicos, tem-se por objetivo analisar a fragmentação do eu em comparação ao alter-ego, presente no arquétipo do herói moderno.

Artigo publicado no IV Congreso Internacional de Ciberperiodismo y Web 2.0 – Bilbao/2012.

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FANTASIA E SUPER-HERÓI: UM BREVE DIÁLOGO ENTRE REALIDADE PSÍQUICA E O MITO DO HERÓI

Em Reflexões para tempos de guerra e morte (1915), Freud nos fala sobre a identificação que o indivíduo possui com os heróis da ficção, e como estes personagens garantiriam ao espectador uma pluralidade de vida que necessita, ao “morrer e renascer” seguramente com vários personagens. Em sua “Jornada do Herói”, Joseph Campbell (1949) propunha um monomito esquemático de como o caminho do herói seria uma metáfora para o próprio processo de re-conhecimento do material inconsciente, processo comum tanto aos heróis quanto ao indivíduo, fator que possibilitaria uma maior identificação com os personagens. A crescente demanda por filmes do gênero de super-heróis – atualizações do mito do herói – nos permite ampliar o diálogo entre ficção e pulsão, realidade psíquica e fantasia, e como os recordes de bilheteria destes filmes estariam relacionados mais à busca de satisfação pulsional que a fenômenos de marketing ou apelo de massa.

Artigo publicado nos anais do Sepsi RIO 2015 (UFRJ).

 
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“WHAT WOULD THE WORLD BE LIKE WITHOUT CAPTAIN HOOK?” – A FREUDIAN ANALYSIS ON OUR LOVE FOR (ANTI-)VILLAINS

From ancient tales older than the Vikings to the recent fifth instalment of the Pirates of the Caribbean franchise, pirates have always populated stories throughout the centuries both as the villains and heroes. It is possible to notice a recent turn on the tide within the hero-protagonist/villain-antagonist dichotomy: a grown popularity of anti-villains like Magneto, Catwoman and Loki – not even to mention how popular anti-heroes like Deadpool, Jack Sparrow and Constantine are. However, there appears to be a new trend to shoot prequels of canon movies and books with main villains like Hook, Dracula or the Wicked Witch portrayed as impulsive good characters who became evil due to an unfortunate event. This can be traced back to the point made by Richard Reynolds that villains are the real main stars of the stories (1992). There is a fascination and somehow an identification with Hook, Loki and – as eerie as it may seem – Heath Ledger’s Joker. Parting from Sigmund Freud’s reflection on the uncanny (Das Unheimliche, 1919), instinctual drives (1920) and the relationship between subject and fictional stories (1908; 1915; 1930), and Edgar Morin’s and Jean Baudrillard’s thoughts on violence and mass culture (2004; 2010; 2011), it is possible to ponder upon our attraction to the dark side and our contemporary discontent with primordial good only for goodness sake. Maybe this fascination with the Joker lies on his relationship with Batman: he does what the hero cannot do, and since we carry deep in our unconscious aggressive and destructive drives, maybe we have reached a point – socially and culturally ­– in which the primacy of the ends overthrows the rightfulness of the means. Yes, there is still a certain polarity in Hollywood movies: Pan vs. Hook, Jack Sparrow vs. Black Beard and so on and so forth. Nonetheless, characters like the pirate Hector Barbosa turned “good” in the third movie of the Pirates of the Caribbean franchise, daring researchers to reflect upon this issue and maybe shed light on contemporary paradigms. Hook (1991) and Pan (2012) will be taken as the main films for this analysis. The former contains an ingenuous relationship between the protagonist and the antagonist while highlighting other aspects that link those characters together. For example, one central theme is the challenges and burden one must carry when growing up and the desire to stay forever young. This is something Freud explores throughout his work as a deep unconscious desire that is reflected on our daily life and often comes to surface in our dreams. The latter, Pan (2015), presents a completely different villain and shows Captain Hook fighting alongside Peter Pan against evil, which is something that reinforces our point that the new Hollywood approach: a villainous character’s good side can never be displayed without something that would justify their turn to evil. This is because the audience is not supposed to identify solely with villains, and this sustains a polarity that no longer reflects our times.

Capítulo de livro.

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“ELES SEMPRE ATINGEM OS MONUMENTOS": TRAUMA E UNHEIMLICHE EM 11/9 E NOS FILMES-CATÁSTROFE

Ancorado nos termos originais em alemão do texto O Estranho de Sigmund Freud (1919), propomos uma discussão acerca da tradução em português do conceito e suas eventuais falhas para com o restante da teoria freudiana junto aos filmes-catástrofe para refletir sobre o que, de fato, estaria em jogo tanto no conceito do Unheimliche em não estar relacionado apenas ao horror, quanto na vida inconsciente do americano, onde desejo, fantasia e recalque entram em xeque junto aos atentados de 11 de setembro.

Artigo publicado nos anais do XX Socine – Paraná/2016.

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A DANÇA DOS VAGALUMES: ENTRE HERÓIS, PSICANÁLISE E BLOCKBUSTERS

Entre as reflexões de Georges Didi-Huberman sobre os vagalumes de Pier Paolo Pasolini e o conceito do Unheimliche – o estranho, o infamiliar – de Sigmund Freud, este ensaio propõe uma observação sobre resistência, criatividade e o Ideal do Herói que vive dentro da nossa psiquê. Os super-heróis são hoje grandes franquias com várias produções. Seriam eles meras representações superficiais da cultura de massa? Estariam as noções de idolatria e fama contribuindo para o desaparecimento dos vagalumes modernos como Pasolini pensava ou será que perdura dentro de nós algo mais forte na relação com a imagem dos  heróis que nos proporciona ideais de coragem, resistência e superação que nos levaria a identificar com os super-heróis do cinema, os mesmo que trazemos desde a infância – como é o caso de Batman, Super-Homem, Mulher-Maravilha e tantos outros de décadas passadas?

Artigo publicado nos anais do 21º Congresso de AVANCA – Conferência Internacional de Cinema - Portugal/2017.

 
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O HAPPY END E O SUJEITO CONTEMPORÂNEO: UMA LEITURA PSICANALÍTICA SOBRE A CULTURA DE MASSAS E A IDEOLOGIA DA FELICIDADE

Este artigo discute a quasi-compulsão ao final feliz dos filmes de Hollywood juntamente à teoria de cultura de massas de Edgar Morin (2011) e o conceito de horizonte de expectativas de Hans Robert Jauss (1994). Sob o escopo da psicanálise freudiana, especialmente as noções de fantasia, estranheza – o Unheimliche –, e da angústia do ser humano diante da ideia de sua própria mortalidade, este artigo é uma tentativa de compreender porque os blockbusters, especialmente aqueles adaptados dos comics e que contêm super-heróis envolvidos, compulsoriamente almejam o final feliz a ponto até mesmo de modificar a obra original da qual foram adaptados. Seria isto algo que a indústria cultural impulsiona como elemento do consumerismo em uma tentativa de deixar sempre o consumidor contente e continuar sempre a denegar a Falta que carregamos, sempre tentando satisfazê-la com a promessa de um final feliz?

Artigo publicado nos anais do 21º Congresso de AVANCA – Conferência Internacional de Cinema - Portugal/2017.

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REMODELANDO O UNIVERSO DOS SUPER-HERÓIS: OS FÃS E A PRODUÇÃO SATÍRICA NA INTERNET

A produção feita por fãs de quadrinhos, games e filmes (fanfiction) no ciberespaço é uma forma das comunidades de fãs – ou fandom - discutirem o conteúdo das obras de seus personagens favoritos, a fim de ampliar narrativas, comentar, questionar e remodelar os produtos da mídia de massa de acordo com os seus desejos e expectativas. Uma dessas manifestações se dá através da produção satírica e paródias caricaturais, que sempre parecem respeitar os traços essenciais dos objetos de escárnio. A partir das noções psicanalíticas sobre o espaço potencial de W. D. Winnicott e as inflexões sobre o humor de Sigmund Freud, este artigo visa analisar dois canais produtores dessas “metaformas parasitárias” de comentários, que ironizam as obras do mainstream para expor suas falhas e suas decepcões.

Artigo publicado nos anais do VI ABCiber - Novo Hamburgo/2012.

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A MÁSCARA DO ANONYMOUS:
A LEGIÃO REBELDE POR TRÁS DE GUY FAWKES (SARMENTO, TIAGO; XAVIER, FELIPE)

A ‘quebra da 4a parede’ no cinema acontece quando um personagem daquele universo fictício ‘atravessa’ o que seria a 4a parede imaginária que compõe a cena – a que divide filme do espectador. Algumas vezes, a identificação do indivíduo com a ficção é tanta que ele incorpora valores ao seu próprio ego. A partir do filme V de Vingança e do folclore de Guy Fawkes, este artigo tem como objetivo analisar como essa incorporação de símbolos ocorreu com o grupo Anonymous e como se deu a apropriação – subversiva? – da máscara de Fawkes por grupos de protesto.

Artigo publicado nos anais do IV Congreso Internacional de Ciberperiodismo y Web 2.0 – Bilbao/2012.

 
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ADORÁVEL ESTRANHEZA - JENTSCH, FREUD E O UNCANNY VALLEY NA FACETA NÃO HORRÍVEL DO UNHEIMLICH NO FILME TED

Muito tem se debatido na teoria estética a questão do horror e sua relação com o Unheimliche proposto por Freud. No entanto, a leitura tem sido um tanto subvertida, contemplando apenas alguns aspectos do fenômeno e deixando outros mais importantes de lado – em parte, por incongruências na tradução de alguns termos. A tentativa de compreender que o Unheimliche, seguindo as pistas deixadas por Freud, não está associado unicamente ao horrível - manifesto nas telas através de monstros, assassinos ou terror psicólogico - encontra eco no filme Ted (2012, McFarlane), que permite contrapor essa visão vigente, sem deixar de lado os aspectos fundamentais do fenômeno: a angústia resultante do retorno do recalcado e sua relação com desejos infantis.

Artigo apresentado no XXXVI INTERCOM - Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação/Manaus, 2013

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TRIPOFOBIA E UNHEIMLICHE NOS TEMPOS DO EXIBICIONISMO VIRTUAL (SARMENTO, TIAGO; COPPUS, ALINNE NOGUEIRA).

A partir da teoria psicanalítica criada por Sigmund Freud e retomada por Jacques Lacan, o artigo aborda a questão da manifestação do estranho em dias de narcisismo virtual. O fenômeno da tripofobia serve de pano de fundo para uma questão atual: a recusa da falta. Imagem, corpo, furo e tripofobia balizam uma discussão feita a partir da articulação entre um fenômeno social e o posicionamento do sujeito nos tempos de hoje. A tripofobia seria mais uma categorização política do sofrimento humano em que percebemos uma articulação possível com o fenônemo do Unheimliche, uma íntima relação entre o olhar, o que se vela e o que se revela, e a castração.

Artigo publicado na revista Psique, vol. 1, n. 1 (2016). << https://seer.cesjf.br/index.php/psq/article/view/772 >> 

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IDENTIFICAÇÃO, TOTEMISMO E O SILÊNCIO DAS MASSAS NA EFÍGIE DE GUY FAWKES (SARMENTO, TIAGO; RETT, LUCIMARA).

Nos últimos anos, fomos cúmplices, espectadores ou comentadores dos movimentos sociais que eclodiram pelo mundo – Primavera Árabe, os protestos contra a Copa no Brasil e o #OccupyWallStreet, para citar alguns. Seja por reivindicações políticas ou sociais, muitos desses movimentos tiveram início através das redes sociais, alguns tendo o grupo ciberativista Anonymous como porta-voz da busca por igualdade e liberdade de expressão, especialmente se tratando de informações sigilosas governamentais. Dentro de várias efígies utilizadas como avatares, um símbolo se destacou em todos os movimentos como a verdadeira face da juventude rebelde atual: a máscara de Guy Fawkes. Auxiliados por Sigmund Freud e suas ideias acerca do totemismo e da psicologia de grupo de Gustave LeBon, e as “massas silenciosas” de Baudrillard, neste artigo exploraremos o porquê do termo verdadeira estar grafado em itálico, num sinal de sarcasmo. O que do personagem Guy Fawkes foi reprimido – ou recalcado - em prol de sua atividade social?

Artigo publicado na revista Conexão – Comunicação e Cultura (UCS), vol. 15, n. 19 (2016) << http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/view/4154 >>. 

 
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OS SIGNOS DE BATMAN – UMA ANÁLISE DO PERSONAGEM A PARTIR DA SEMIÓTICA E PSICANÁLISE (SARMENTO, TIAGO; COPPUS, ALINNE NOGUEIRA).

Este artigo visa discutir alguns aspectos do psiquismo do personagem Batman apresentados no filme Batman Begins, de 2005. A partir da suposição que estamos diante de um sujeito neurótico, é possível identificar alguns elementos marcantes que determinam a vida do personagem, como a forte presença do supereu, o luto e os elementos Unheimliche que fazem parte de seu caminho e o levam à elaboração do signo Batman. Utilizando da semiótica como ferramenta de análise desta construção sígnica e da psicanálise para compreendermos melhor o personagem, podemos ampliar o diálogo entre arte e subjetividade e tentar, por fim, compreender o por que as figuras super-heróicas são grandes atrativos de público e permitem identificação tão forte com o sujeito contemporâneo.

Artigo publicado na revista Psicanálise & Barroco, vol. 10, n. 2 (2012). << http://seer.unirio.br/index.php/psicanalise-barroco/article/view/8703 >>. 

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A JORNADA DO CAVALEIRO DAS TREVAS – FREUD, CAMPBELL E O HOMEM-MORCEGO.

Em 2012, foi lançado o último filme da trilogia “O cavaleiro das trevas”, de Christopher Nolan. Desde 2005, acompanhamos a evolução do personagem tal como proposto pelo diretor, seus obstáculos e motivações para atuar como símbolo de Justiça em Gotham City. Como se trata de modelos de filmes baseados nas narrativas clássicas, a jornada do herói proposta por Joseph Campbell - como analogia dos processos oníricos - se mostra uma ferramenta oportuna de análise dos filmes, desde a chamada para a aventura até a liberdade de escolha do herói, passando por um metafórico drama edípico que, auxiliados por Freud, se mostra passível de análise ao compreendermos as três obras como parte de uma só narrativa contínua.

Artigo apresentado no XVIII INTERCOM – Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste, Bauru/2013

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UNHEIMLICHE, ANIMATRONICS E CGI: OS HERÓIS VERDES E A ESTÉTICA VISUAL

Este artigo discute, à luz do Unheimliche proposto por Sigmund Freud (1919), a relação de estranheza entre a imagem gerada por computador e aquela captada naturalmente pela câmera, com criaturas mecânicas ou atores vestindo fantasias. Dentro da imagem, há elementos de não-familiaridade nas inserções gráficas, ao passo que, atores usando fantasias, poderiam evocar algo recalcado no espectador, tornando tênue a linha entre imaginação e realidade que influencia a ocorrência do Unheimliche. Para isto, a comparação entre personagens verdes dos quadrinhos que tiveram suas versões cinematográficas se mostra uma boa oportunidade para discutir o fenômeno junto aos super-heróis.

Artigo apresentado no Comunicom ESPM 2013.

 
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GENDERBENDING COSPLAY E O HUMOR DE FREUD NO UNIVERSO DOS FÃS: A SUBVERSÃO TRANSGÊNERA DOS SUPER-HERÓIS.

Dando sequência aos nossos estudos acerca da identificação do sujeito contemporâneo com os super-heróis, partimos do humor e sua relação com o inconsciente proposto por Sigmund Freud (1927), junto da questão da performance de gênero de Judith Butler (2003), para analisar os cosplays de gênero invertido. Sendo uma das formas de personificação dos personagens, fantasiar-se como os super-heróis favoritos é uma das formas do fã remodelar a realidade das produções na cultura de massa. Ao mesmo tempo, ao inverter o gênero de suas fantasias e manter características do sexo anatômico original, o fã subverte de forma satírica e burlesca o sistema heteronormativo vigente e desafia as leis de sexo inteligível – e, por consequência, do poder vigente patriarcal – nos fóruns propícios a essa atividade.

Artigo apresentado na EBEP-Rio nas "Tardes Polêmicas" em Abril/2016.

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FANTASIAS ERÓ(I)TICAS: PERFORMANCE E GÊNERO EM UM PERSONAGEM DE DESENHO INFANTIL.

Um estudo sobre as fantasias heróicas, altamente investidas de eroticidade pelas crianças, juntamente com a questão da identidade de gênero presente nos animes, mais especificamente em Os Cavaleiros do Zodiaco (Saint Seiya). Com o personagem Shun de Andrômeda, um andrógeno homem, belo, sensível e que veste uma armadura rosa de uma personagem mitológica feminina, articulamos Judith Butler com Freud para pensar em como este desenho pode ter ajudado uma geração inteira a perceber a identidade de gênero de forma natural e sem tabus.

Artigo integrante da tese de doutorado do autor: "O Herói em Freud e a cultura de massas: Trauma e Unheimliche nos filmes de super-heróis pós-9/11"

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O CARÁTER ESTRANHO DOS SUPERPODERES:
UMA REFLEXÃO ACERCA DO CONCEITO DO UNHEIMLICHE E AS MANIFESTAÇÕES DE PODER DOS SUPER-HERÓIS.

Estudo feito entre a relação do Unheimliche de Freud e os superpoderes apresentados pelos super-heróis da ficção.

Artigo escrito para seminário de mestrado (2012).

 

EBEPJF

Espaço Brasileiro de Estudos Psicalalíticos de Juiz de Fora

Rede Internacional Collége d'Espace Analytique

 

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